Papa: ter medo de tudo é pecado que paralisa o cristão
Na Missa de hoje, Papa convidou fiéis a fazer memória do passado, viver o presente e ter esperança no futuro, sem jamais ficar parado e ter medo de tudo
Da Redação, com Rádio Vaticano
Papa durante homilia na Casa Santa Marta / Foto: L’Osservatore Romano
Deus livre o homem do pecado que paralisa os cristãos: a pusilanimidade, ou seja, o medo de tudo, pediu o Papa Francisco na Missa desta sexta-feira, 27, na Casa Santa Marta. Francisco destacou que ter medo de tudo faz o cristão não ter memória, esperança, paciência nem coragem.
A Carta aos Hebreus proposta pela liturgia do dia, segundo Francisco, convida a viver a vida cristã com três pontos de referência: o passado, o presente e o futuro. Antes de tudo, convida a fazer memória, porque a vida cristã não começa hoje, continua hoje. Fazer memória é recordar tudo: as coisas boas e as menos boas, é cada um colocar a sua história diante de Deus sem escondê-la.
“’Irmãos, sois chamados à memória daqueles primeiros dias’: os dias do entusiasmo, de seguir adiante na fé, quando se começou a viver a fé, as provações sofridas…Não se entende a vida cristã, também a vida espiritual de cada dia, sem memória. Não somente não se entende: não se pode viver cristianamente sem memória. A memória da salvação de Deus na minha vida, a memória dos problemas da minha vida; mas como o Senhor me salvou destes problemas? A memória é uma graça: uma graça a pedir. ‘Senhor, que eu não me esqueça do seu passado na minha vida, que eu não esqueça os bons momentos, também os ruins; as alegrias e as cruzes’. O cristão é um homem de memória”.
Viver na esperança de encontrar Jesus
Francisco destacou ainda que o autor da Carta faz entender que os homens estão em caminho à espera de alguma coisa, à espera de chegar a um ponto: um encontro com o Senhor. Trata-se da esperança, de olhar para o futuro.
“A vida é um sopro, passa. Quando alguém é jovem, pensa que tem tanto tempo adiante, mas depois a vida nos ensina que aquela palavra que dizemos todos ‘mas como o tempo passa! Esse aqui conheci criança, agora se casa! Como o tempo passa!’. Logo vem. Mas a esperança de encontrá-lo é uma vida em tensão, entre a memória e a esperança, o passado e o futuro”.
Viver o presente com coragem e esperança
O terceiro ponto de referência é o presente, tantas vezes dolorido e triste. O Papa recordou que todos são pecadores, mas devem seguir adiante com coragem e paciência, sem ficar parados, porque isso não levará a crescimento.
Por fim, a liturgia do dia convida ainda a não cometer o pecado de não fazer memória, esperança, coragem e paciência: a pusilanimidade. É um pecado, segundo o Papa, que não deixa seguir adiante por medo. Pusilânimes são aqueles que vão sempre atrás, que protegem muito a si mesmos, que têm medo de tudo.
“O Senhor nos faça crescer na memória, na esperança, nos dê todos os dias coragem e esperança e nos livre da pusilanimidade, ter medo de tudo…Almas restritas para se preservarem. E Jesus diz: ‘quem quer preservar a própria vida, a perde’”.
Qual oração Deus quer que façamos?
Devemos, em cada momento de nossa vida, fazer uma oração e nos voltar para Deus
Vivemos cercados por muitas necessidades pessoais e pessoas a nossa volta, passamos por diversos problemas e verdadeiras guerras interiores, diante das quais, muitas vezes, não conseguimos segurar nossa raiva ou tristeza. Mesmo sem querer luxo, sempre nos falta algo; e se temos tudo, um vazio se instala dentro de nós. Nesta vida, temos a certeza apenas de uma coisa: sempre teremos aflições e elas sempre terão um fim. De quem nos lembramos quando chega esse momento? Nessas horas, até alguns ateus clamam: “Aí, meu Deus!”. Mesmo que ainda não acreditem, pedir o auxílio de Deus é uma frase comum quando se está na aflição. Nesse momento, reconhecemo-nos dependentes d’Ele, e nos voltamos para Ele. Que lindo! Mas o Senhor, por vezes, não nos atende, parece que está morto ou dormindo. Chegamos a ser tentados a achar que Ele é obra de nossa imaginação.
Diante das tribulações, não se afaste de Deus
Nessa demora, chegamos a desafiá-Lo, cobrá-Lo ou forçamos a barra com uma promessa. Por vezes, acontece o pior: nós O abandonamos. A partir daí, procuramos soluções humanas e ineficientes, soluções ocultas que, aparentemente até resolvem, mas trazem, no fim, consequências espirituais mortais. Se você buscou solução espiritual fora de Deus, vale a pena então ler “A contaminação pela prática e busca do oculto”. São Tiago esclarece: “Não possuís, porque não pedis; mas não recebeis, porque pedis mal, com o fim de gastardes nos vossos prazeres” (Tg 4, 2-3). Isso acontece quando fazemos uma oração pedindo apenas bens deste mundo, mas nos esquecemos de que a vida tem um fim. O necessário, a oração que Deus quer que façamos, é uma oração que nos cumule de bens espirituais. O Próprio Cristo declara, em Lucas, após ter ensinado os discípulos a rezar: “Portanto, eu vos digo: pedi e vos será dado; procurai e encontrareis; batei e a porta vos será aberta. Pois todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e a quem bate, a porta será aberta. Algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe lhe dará uma cobra? Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos nossos filhos, quanto mais o Pai do céu saberá dar o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” (Lc 11,9-13) Enquanto pedimos coisas que passam, Ele quer nos dar algo precioso, o rio de Água Viva, o Espírito Santo. Disse Jesus: “Do seu interior jorrarão rios de água viva” ( cf Jo 7,38). Todo aquele que crê no Senhor clama “Vem, Espírito Santo!”. Esse terá uma fonte de vida no interior, não só para si, mas para jorrar a todos à volta. Ela não só nos transformará, mas mudará tudo a nossa volta, pois, quando eu mudo, tudo muda. A oração que Deus quer que façamos é: “Vem, Espírito Santo!”, para que possamos receber aquilo que Ele quer nos dar. Esse Espírito vem à medida que desejamos, e Ele não poder ser “gasto”, pois é o próprio Deus quem nos conduzirá a pedir bem, a pedir o que convém.
Oração
Tudo o que nos falta, então, é fazer com fé esta oração:“Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra.”Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos Vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo este mesmo Espírito e gozemos sempre de Sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém. Guilherme Christóvão
Homilia Diária
A graça de Deus nos mantém de pé
O que nos mantém de pé, firmes e nos levanta diante das tribulações da vida é a graça de Deus, que um dia recebemos no batismo
“Lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas” (Hebreus 10, 32).
Hoje, quero retomar, na nossa reflexão diária, aquilo que começamos a falar ontem quando São Paulo exortava Timóteo, seu filho na fé, a reinflamar e reacender a chama da fé.
Na Carta aos Hebreus, o escrito está falando justamente disso: “Lembrai-vos, tomar consciência dos primeiros dias, das lutas que enfrentamos, de tudo aquilo que enfrentamos por amor a Jesus Cristo”. Tudo aquilo que nós, muitas vezes, na vida, já suportamos por amor a Jesus e continuamos firmes, aguerridos e servindo ao Senhor. Havia em nós ou há em nossos corações uma chama, uma disposição que é dada por Deus e se chama: graça.
A graça de Deus nos permite suportar as tribulações, as perseguições, as dificuldades, as aflições e os tormentos que temos de enfrentar nessa vida. Daí, você pergunta: “Meu Deus, por que eu, muitas vezes, não consigo suportar isso ou aquilo?”. Eu lhe digo: o problema não é a graça, mas sim perguntar, meditar e refletir como está a nossa relação com a graça divina. Nós a deixamos secar?
Estamos olhando para ela apenas de forma racional e humana? Estamos realmente deixando que o Espírito nos molde, crie têmpera, solidez em nós, na nossa alma, no nosso corpo e no nosso espírito?
Não podemos tratar as realidades da nossa alma e do nosso coração apenas de forma humana, apenas cuidando de ver se isso é certo. Compreendo que precisamos nos olhar como pessoas humanas, porque assim somos, mas somos pessoas humanas convertidas a Deus e não podemos abrir mão da Sua graça!
Se abrirmos mão da graça divina, vamos olhar as coisas de uma forma muito pequena e perderemos o olhar de Deus, o olhar sobrenatural. Sem a visão sobrenatural não conseguiremos sobreviver, suportar tudo aquilo que vivemos, mergulhados no mundo e na vida que temos.
Às vezes, alguém diz: “Nossa, nunca foi tão difícil viver! Nunca o mundo foi tão cruel!”. Não é verdade. Se olharmos as tribulações, as perseguições, se olharmos tudo aquilo que os apóstolos sofreram, onde os primeiros seguidores de Jesus cresceram; se olharmos os primeiros séculos da Igreja, a Igreja dos mártires, a Igreja do sangue derramado por causa de Jesus, vamos ver que nós temos até muito amenidade e liberdade para proclamar o Reino. Até enfrentamos tribulações, mas nada que se compare às tribulações que sofreram os apóstolos. Não é para ficar medindo, matematicamente falando, quem sofreu mais ou quem sofreu menos. Essa não é a questão.
A questão é que se eles foram capazes de, com a graça de Deus, suportar, vencer e ir adiant
e, não foi por mérito humano, mas por graça divina.
Vamos vencer, vamos adiante se não nos apoiarmos somente, e principalmente, nos méritos humanos, mas entendermos que quem nos mantêm de pé, firmes e nos levanta diante das tribulações da vida é a graça de Deus, que um dia recebemos no batismo, e em tantas ocasiões da nossa vida.
É preciso colocar essa graça para fora, deixar que o Espírito inflame em nós essa convicção de que a graça de Deus nos mantém de pé!
Deus abençoe você!
Santo do Dia
Santa Ângela Mérici, mulher de oração
Santa Ângela Mérici, promoveu a restauração das jovens, das famílias e foi ao encontro dos pobres e enfermos
Nasceu no ano de 1474 no norte da Itália. De uma família muito honesta, materialmente pobre, mas espiritualmente riquíssima, amava muito Cristo e sua Igreja. Os filhos foram crescendo assim, com o testemunho dos pais, inclusive Santa Ângela que, desde pequenina, já tinha vida de oração e penitência, buscava amar, cada vez mais, Deus.
Ela teve uma irmã e, com o tempo, seus pais vieram a falecer. Os filhos tiveram que sair de sua terra e morar com um tio. Ali, a irmã faleceu e, mais tarde, o tio. Quantas perdas! Mas Santa Ângela, mulher de oração, nunca acusou Deus, nunca se revoltou. Isso não quer dizer que não sentiu, não sofreu. Até Nosso Senhor, verdadeiro Deus, verdadeiro homem sofreu. Inspirada pelo Espírito Santo, retornou para a sua terra natal e ali começou a fazer um trabalho muito providencial, confirmado pelo céu, porque teve um sonho de ver jovens com coroas de lírios caminhando para o céu. Naquele discernimento, ela agarrou a inspiração e foi trabalhar servindo jovens que corriam riscos morais.
O grupo daquele que se dedicavam a Deus foi crescendo, servindo no resgate à evangelização dos jovens e também na restauração das famílias. Ela foi com o coração aberto, cheio de amor para auxiliar, com as outras jovens, as famílias. Promoveu a restauração das jovens, das famílias, também foi ao encontro dos pobres e enfermos. O Papa aprovou esta nova congregação que foi consagrada a Santa Úrsula, por isso, eram chamadas ursulinas, pois a própria Santa Úrsula apareceu para Santa Ângela. Ela que, aos 66 anos, partiu para o céu, hoje intercede não só pelas ursulinas, mas por todos que são Igreja.
Santa Ângela Mérici, rogai por nós!
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
Como participar bem da Santa Missa
Ir à Missa é encontrar-se com Cristo
1. De casa para a Santa Missa, prepare o seu coração, pois você se encontrará com o seu Senhor com uma pergunta: “Pelo que me mostrarei agradecido a Deus? Que levo nas mãos para Lhe oferecer hoje?”; 2. Seja pontual e fique num lugar próximo ao altar, para não se dispersar; 3. Participe de toda a liturgia, cantos, posições do corpo, como o sentar ou ajoelhar-se; 4. Preste atenção nas leituras e na pregação do padre. O Salmo é a sua resposta a Deus, por isso cante respondendo ao refrão [do Salmo]; 5. Depois de comungar, faça um momento de oração, uma ação de graças a Deus por doar-se a você mais uma vez; 6. Por fim, marque um pequeno compromisso com Jesus para a semana que vem.Saiba como se encontrar com o seu Senhor.
Seis razões para ir à Santa Missa
1. Você conhece algum cristão sério que não vá à Missa?; 2. A Celebração Eucarística não é uma invenção da Igreja ou dos homens, mas do próprio Jesus, por isso não podemos mudar o que Ele nos deixou; 3. Ir à Missa é encontrar-se com Cristo e constitui um encontro de Seus seguidores entre si; 4. A Missa é um momento privilegiado para escutar a Palavra de Deus; 5. Eucaristia quer dizer ação de graças. Você não tem nada para agradecer a Deus?; 6. Por fim, a Eucaristia nos alimenta e fortalece. Não perca tempo! Vá ao encontro do seu Senhor!
Homilia Diária
É preciso reinflamar a graça de Deus em nós
É preciso acender, reacender, reanimar, reinflamar essa graça, esse fogo de Deus que um dia recebemos
“Exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos” (2Tm 1,6).
Hoje, celebramos os apóstolos Timóteo e Tito, companheiros de Paulo em sua grande missão evangelizadora. Eles foram, com certeza, convertidos pela pregação de Paulo e tornaram-se, depois, seguidores de Cristo pelo caminho de Paulo.
Como é importante termos afeto por aqueles que nos aproximam de Deus e por aqueles que nós aproximamos d’Ele. É uma coisa maravilhosa, os catequistas que nos evangelizaram, aqueles que foram responsáveis por nos transmitir a fé são exemplos e modelos para nós.
Paulo escreveu essa carta a Timóteo, seu discípulo, seu amigo e filho na fé. Ele está fazendo memória a Timóteo, está recordando sua vó Loide e sua mãe Eunice, que foram pessoas fundamentais para que Timóteo se tornasse um homem de fé. Paulo está chamando Timóteo a voltar ao primeiro amor, a reacender e reavivar a chama da fé que ele recebeu por ocasião da imposição das mãos. Quando Paulo realmente orou por ele, invocou sobre ele o dom do Espírito.
Você também se recorda como nós éramos muito mais inflamados, incendiados e mais aguerridos quando recebemos o dom da graça de Deus? Aquilo nos inflamou, incendiou-nos por dentro, causou em nós um verdadeiro entusiasmo, mas não é simplesmente um entusiasmo de ‘fogo de palha’. Não se trata disso! Trata-se do entusiasmo da chama da graça de Deus, que se acendeu no meio de nós.
Toda chama que não se cuida, vai diminuindo, vai aos poucos se apagando, ficando aquele foguinho pequeno. É preciso acender, reacender, reanimar, reinflamar essa graça, esse fogo de Deus que um dia recebemos.
A tentação do desânimo tomou conta, muitas vezes, do coração dos apóstolos, dos discípulos, dos seguidores de Jesus naquele tempo, nos tempos de hoje, e vai tomar conta também nos tempos de amanhã. Porque vamos fazendo empreitadas, vamos crescendo e amadurecendo, mas vamos também enfrentando dificuldades, problemas, frustrações, decepções e situações que tiram da nossa vida aquele gosto e sabor que tínhamos no início.
Não podemos perder a meta, não podemos perder o objetivo, não podemos tirar de Jesus o nosso olhar. Desviamo-nos da estrada da vida, perdemos o ardor da graça quando tiramos do Cristo o olhar e paramos na obra, nas pessoas, nesta ou naquela situação. E como lidamos com realidades humanas, elas vão tirando de nós, nos embates que acontecem na vida, o nosso entusiasmo.
Não deixemos que o entusiasmo seja somente humano, mas, sobretudo, que seja incendiado pela nossa fé.
Assim como Paulo reinflamou e convidou Timóteo para que inflamasse nele o dom da fé, Deus quer reinflamar em nós, incendiar novamente em nosso coração o entusiasmo, o amor primeiro, a entrega primeira que um dia fizemos ao Reino de Deus. Não é para viver de saudosismo, recordando o passado. É para fazer, hoje, com muito mais entrega, paixão e amor o que, no passado, Jesus começou a fazer em nossa vida.
Deus abençoe você!
Santo do Dia
São Timóteo, um apóstolo de entrega total a Jesus Cristo
São Timóteo, conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista João
Sua vida foi marcada pela evangelização, pela santidade de São Paulo e também de São João Evangelista. A respeito dele, certa vez, São Paulo escreveu em uma de suas cartas: “A Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!” (II Timóteo 1,2).
Nesta carta, vamos percebendo que ele foi fruto de uma evangelização que atingiu não somente a ele, mas também sua família: “Quando me vêm ao pensamento as tuas lágrimas, sinto grande desejo de te ver para me encher de alegria. Confesso a lembrança daquela tua fé tão sincera que foi primeiro a de tua avó Lóide e de tua mãe, Eunice e, não tenho a menor dúvida, habita em ti também”. (II Timóteo 1,4-5) Por isso, São Paulo foi marcado pelo testemunho de São Timóteo, que se deixou influenciar também por São Paulo. Tornou-se, mais tarde, além de um apóstolo, um companheiro de São Paulo em muitas viagens.
Primeiro bispo de Éfeso, foi neste contexto que ele conheceu e foi discípulo de Nosso Senhor seguindo as pegadas do Evangelista João.
Conta-nos a tradição que, no ano de 95, o santo havia sido atingido por pagãos resistentes à Boa Nova do Senhor e, por isso, martirizado. São Timóteo, homem de oração, um apóstolo de entrega total a Jesus Cristo. Viveu a fé em família, mas também propagou a fé para que todos conhecessem Deus que é paz.
Peçamos a intercessão desse grande santo para que sejamos apóstolos nos tempos de hoje.
São Timóteo, rogai por nós!
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Por que preciso rezar?
Rezar é muitas vezes é a direção e tem seu valor
Uma das maiores descobertas que já fiz na vida foi saber que Deus me ama e me acolhe independente do que faço, pois Ele me ama a partir do que sou. Nesse caso, se eu rezo ou não rezo, Ele continua me amando com a mesma intensidade. No mundo, existem milhões de pessoas que nunca oraram, no entanto, não deixam de viver. Trabalham, estudam, viajam, fazem descobertas, constroem prédios, vão à praia, ao shopping e vivem naturalmente. Daí, vem a pergunta, que já ouvi várias vezes: “Por que preciso rezar?”.
A resposta pode ser dada de inúmeras formas, mas acredito que a vida diz mais que as palavras. Enquanto escrevo, recordo-me de tantos momentos nos quais, sem saber o que fazer, procurei uma direção da parte de Deus por meio da oração e fui ajudada. Certamente, você também já viveu experiências assim, e é nessas horas que percebemos o valor da oração em nossa vida.
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com
Aproximação de Deus
Padre Kentenich, autor do livro ‘Santidade de todos os dias’, diz que, quando oramos, além de nos assemelharmos a Cristo, que é orante por excelência, e nos aproximarmos do Pai, que nos ama em Cristo, tornamo-nos também possuidores das riquezas divinas, já que a vida dos santos e cristãos piedosos confirma que os tesouros de Deus estão à disposição daqueles que rezam. Na verdade, existe algo que não podemos nos esquecer jamais: Não é Deus quem precisa de nossas orações, somos nós que precisamos de Sua graça, e esta costuma manifestar-se quando a Ele recorremos por meio da oração.
A oração também tem o poder de despertar nossos sentidos para percebermos os presentes que Deus nos dá, mas que, por uma razão ou outra, não conseguimos reconhecê-los. É que quando oramos, o Espírito Santo nos devolve a calma; assim, temos condições de ver o outro lado da história, tirando os olhos de nós mesmos e do problema em si. Aliás, essa é uma das maiores graças alcançadas pela oração. Já que quando estamos com dificuldades, naturalmente acabamos colocando o problema no centro da vida, e isso nos impede de encontrarmos solução para ele.
A oração é o socorro
Já ouvi dizer que a oração é como um grito, um pedido de socorro, mesmo que seja no silêncio, pois Deus vê o coração e não deixa quem ora sem resposta. Existe até uma história que pode ilustrar essa afirmativa:
“Conta-se que um navio, estando há vários dias no mar, havia esgotado sua reserva de água potável. O capitão não avistava margem nenhuma no horizonte, e os viajantes sentiam cada vez mais sede… Até que avistaram um barco, que navegava ao seu encontro e, aos gritos, pediram que os socorressem com água doce.
No entanto, obtiveram, também aos gritos, a resposta: ‘Ora, tirai a água do mar e bebei, não veem que é água doce?’ Experimentaram. E recolhendo a água do mar, notaram que, já havia tempo, navegavam em água doce, no imenso estuário de um rio”.
Podemos concluir que se os tripulantes do navio não pedissem ajuda, poderiam morrer de sede estando tão próximos da água doce. Em nosso caso, quando não oramos, corremos o mesmo risco. Ou seja, de estarmos bem próximos da solução, mas não conseguirmos percebê-la.
Sintonia com Deus
Por essas e outras razões, considero a oração como algo importante e, até diria, fundamental para uma vida plena. Ela nos coloca em sintonia com Deus, e esta é a maior graça que podemos almejar como cristãos. Também é verdade que, quando oramos, o brilho da vida divina, que está em nós, brota do interior, como que transfigurando nosso rosto. Não sei se você já observou que as pessoas idosas, que levaram uma vida pura e agradável a Deus, têm uma aparência sobrenatural; um exemplo claro disso é o inesquecível e saudoso João Paulo II. Pessoas santas, independente da idade que têm, às vezes nos parecem seres de um outro mundo. É que a oração nos transfigura e nos torna, aos poucos, semelhantes Àquele a quem buscamos. Portanto, apesar de saber que Deus nos ama e nos acolhe, independente de rezarmos ou não, temos muitas razões para recorrer a Ele por meio da oração.
Se, hoje, você passa por alguma situação difícil, se está atribulado e não sabe a quem recorrer, estou convidando você para rezarmos juntos. É o próprio Senhor quem nos fala: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11,28). Jesus chama para si todas as nossas dores, aflições e angústias, Ele nos dá a certeza de que, se crermos na Sua Palavra e guardarmos os Seus mandamentos, seremos libertos do mal.
Rezemos juntos
Coloquemo-nos, agora, na presença de Jesus Cristo e oremos juntos:
“Senhor Jesus Cristo, eu tomo posse do Teu amor, acolho a salvação que nos trouxeste pela Tua morte na cruz e ressurreição gloriosa. Convido-te para entrar agora na minha vida, tocar o meu coração e possuir todo o meu ser. Vem curar minhas feridas, Senhor, lava com Teu Sangue o meu coração sofrido e restaura minha esperança, minha fé e minha alegria. Eu só tenho a Ti, Senhor, e hoje Te busco de todo meu coração. Obrigada por Teu amor infinito, Senhor, obrigada por acolher a minha oração e a de tantos que rezam nesta hora. A Ti toda honra, glória e louvor para sempre!“
Você pode dar continuidade à oração. Eu também estarei orando por você.
Conversão de São Paulo
Paulo ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”
Ao celebrar a festa da conversão de São Paulo apóstolo, neste dia 25, é bom fazer uma pergunta fundamental: O que levou Saulo, um homem de profunda rigidez na observância dos preceitos hebraicos, a tão alto grau de excelência na fé cristã e na propagação desta? O que proporcionou uma mudança assim tão radical a ponto de transformar um grande perseguidor em um enorme apóstolo?
O dicionário da língua portuguesa, dentre outras definições, aponta a palavra conversão sob dois pontos culminantes: sob o ponto de vista da Psicologia é o processo em virtude do qual emoções se transformam em manifestações físicas. E sob o ponto de vista da Física é o processo de decaimento radioativo em que a energia de um núcleo excitado se transfere para um elétron orbital que é ejetado do átomo, acompanhado, em geral, pela emissão de rais X característicos.
Você deve estar se perguntando: “O que estas duas definições têm a ver com Saulo, sua conversão e seu ministério na Igreja?” É a definição mais cabível que encontrei para explicar o processo sucedido na vida deste grande servo de Deus, que de tão intenso foi convencido a mudar o próprio nome para Paulo.
Uma pessoa que se converte a uma religião ou retorna a frequentar àquela religião da infância, abandonada havia tempos, logo deixa certos vícios e maus costumes. Como devemos aferir, na vida do apóstolo Paulo não foi assim, pois ele cultivava uma vida reta e santa segundo a doutrina hebraica.
Por isso, a conversão deste apóstolo é algo maior do que um simples mudar de direção ou de religião.
Saulo, nascido em Tarsus cidade da atual Turquia foi detido, a caminho de Damasco, por meio de um encontro inusitado e inesperado com Alguém a quem ele negava e perseguia. Este encontro foi tão marcante que o jogou por terra, tirando-lhe a vista e tornando-o dependente dos demais. Um homem que antes perseguia, maltratava e aprisionava os cristãos, agora se torna frágil e dependente, todavia não por muito tempo, mas somente para o período necessário à “transformação atômica” do seu ser. Após esse encontro, ele sentiu-se profundamente tocado, assim como os átomos que são excitados com a energia atômica. Todavia o que o tocou não foi uma energia atômica, mas algo muito mais potente e mais sublime que esta. Ele foi tocado pelo Amor! Era isso que faltava na vida dele, que era um verdadeiro seguidor da lei. Faltava o Amor, que é Jesus!
Ele sofreu uma transformação radical em contato com o Amor e a partir daquele momento não poderia mais ser o mesmo, nem estar fechado no seu mundo de judeu observante da lei e da religião judaicas, mas tinha de ir proclamar a todo o mundo, que este Amor é Jesus de Nazaré, a quem, antes, ele perseguia ferozmente.
Neste ponto entra em questão a segunda parte da definição de conversão. Após a conversão não se pode ficar estático, mas se deve ter “manifestações físicas” e “emissões de raios X característicos”. Isso aconteceu com Paulo, pois, após sua conversão ao Amor, ele se tornou o apóstolo de todas as gentes.
Portanto, a Festa da Conversão de São Paulo pode levá-lo a dois questionamentos fundamentais para as práticas cristãs: Você já recebeu Jesus, que é Amor, e fez sua experiência pessoal com Ele? Ou vive no seguimento de leis e estatutos, que por si só não têm vida?
Paulo viveu há aproximadamente dois mil anos aqui na Terra Santa, mas, hoje, o encontro com Jesus pode acontecer com você, aí onde você está agora. Basta estar atento à voz do Deus-Amor e aceitá-Lo.
Aurélio Miranda
Homilia Diária
Abramos nosso coração para a conversão
Conversão é, acima de tudo, saber submeter-se à vontade de Deus
“Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ Eu perguntei: ‘Quem és tu, Senhor?’ Ele me respondeu: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo’” (At 22,7-8).
Paulo era um homem muito religioso, de formação e descendência judaica; era fariseu, tinha o conhecimento da lei divina, era de uma formação muito apurada, um grande conhecedor da lei divina, da Palavra de Deus que lhe foi comunicada desde criança. Era um homem da religião, por isso perseguia aqueles que eram seguidores de Jesus.
Por que Paulo fazia isso? Porque era um religioso, mas um religioso cego, ou ainda, tinha uma visão distorcida para a graça de Deus.
Quando olho para o exemplo dele, fico pensando em todos nós. Às vezes, estamos imaginando que a conversão, a grande mudança de vida acontece somente com as pessoas que vivem os pecados do mundo, as pessoas que não têm religião e passam a tê-la, as pessoas que não creem em Deus e passam a acreditar n’Ele. As pessoas que vivem uma religião frívola, mais ou menos.
Não! O recado da conversão de Paulo é para todos nós pessoas religiosas, homens e mulheres de Deus. Precisamos abrir a mente e o coração para que a luz do Céu entre, para que a luz de Deus nos converta e nos convença de que a dinâmica do Reino, a Boa Nova está acontecendo no meio de nós.
Muitas vezes, fazemos muita coisa para Deus, anunciamos o Seu Reino aqui e acolá, mas não estamos perseguindo em Jesus, na Sua obra, não estamos seguindo a Sua vontade.
O que é a vontade de Jesus? Não somos nós quem determinamos a vontade de Jesus, é Ele quem nos orienta e, muitas vezes, até aquilo que queremos fazer para Deus não é o que Ele quer que façamos.
Se não tivermos docilidade ao Espírito, se não tivermos essa abertura para a graça de Deus, vamos fazer muitas coisas para Ele, mas não com Ele.
Você vai ver, na trajetória da conversão de Paulo, que a grande conversão da vida dele é se fazer um homem submisso ao Espírito Santo. O quanto o Espírito Santo vai lapidando, transformando, mudando e convencendo Paulo, porque ele tem um temperamento muito forte, é uma pessoa muito decidida e impetuosa. Aquilo que ele colocou no coração, corre atrás para fazer. Eu acho espetacular quando vejo Paulo planejando ir para a Ásia ou para outro lugar, mas o Espírito Santo o impede de ir.
Só uma pessoa que se converte, a cada dia, pode compreender que Deus nos leva e nos traz, Ele nos manda e nos puxa, porque não somos nós quem determinamos a vontade d’Ele, mas é essa vontade que ilumina aquilo que devemos fazer.
Paulo caiu por terra e deixou que a luz de Cristo abrisse seus olhos e o convertesse de fato, rendendo-se a Jesus e ao poder do Espírito.
Precisamos, a cada dia, cair por terra, humilharmo-nos, colocarmo-nos debaixo da mão poderosa de Deus, para que Ele nos converta, convença e nos tire até mesmo das coisas que achamos que são boas, mas não é o que Deus deseja para nós.
Conversão é, acima de tudo, saber submeter-se à vontade de Deus.
Que o Senhor abençoe você!
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Santo do Dia 25 de Janeiro
Conversão de São Paulo, o apóstolo dos gentios
São Paulo, buscava identificar cristãos, prendê-los e acabar com o Cristianismo
O apóstolo dos gentios e das nações nasceu em Tarso. Da tribo de Benjamim, era judeu de nação. Tarso era mais do que uma colônia de Roma, era um município. Logo, ele recebeu também o título de cidadão romano. O seu pai pertencia à seita dos fariseus. Foi neste ambiente, em meio a tantos títulos e adversidades, que ele foi crescendo e buscando a Palavra de Deus.
Combatente dos vícios, foi um homem fiel a Deus. Paulo de Tarso foi estudar na escola de Gamaliel, em Jerusalém, para aprofundar-se no conhecimento da lei, buscando colocá-la em prática. Nessa época, conheceu o Cristianismo, que era tido como um seita na época. Tornou-se, então, um grande inimigo dessa religião e dos seguidores desta. Tanto que a Palavra de Deus testemunha que, na morte de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja, ele fez questão de segurar as capas daqueles que o [Santo Estevão] apedrejam, como uma atitude de aprovação. Autorizado, buscava identificar cristãos, prendê-los, enfim, acabar com o Cristianismo. O intrigante é que ele pensava estar agradando a Deus.
Ele fazia seu trabalho por zelo, mas de maneira violenta, sem discernimento. Era um fariseu que buscava a verdade, mas fechado à Verdade Encarnada. Mas Nosso Senhor veio para salvar todos.
Encontramos, no capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos, o testemunho: “Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos, a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem essa doutrina. Durante a viagem, estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’. Saulo então diz: ‘Quem és, Senhor?’. Respondeu Ele: ‘Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão’. Trêmulo e atônito, disse Saulo: ‘Senhor, que queres que eu faça?’ respondeu-lhe o Senhor: ‘Levanta-te, entra na cidade, aí te será dito o que deves fazer'”.
O interessante é que o batismo de Saulo é apresentado por Ananias, um cristão comum, mas dócil ao Espírito Santo.
Hoje estamos comemorando o testemunho de conversão de São Paulo. Sua primeira pregação foi feita em Damasco. Muitos não acreditaram em sua mudança, mas ele perseverou e se abriu à vontade de Deus, por isso se tornou um grande apóstolo da Igreja, modelo de todos os cristãos.
São Paulo de Tarso, rogai por nós!
“Se faz caminho ao andar”
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz Bispo de Campos (RJ)
Com esta frase de um poema do escritor Antônio Machado , espanhol falecido no México como exilado, queremos refletir sobre a importância do ato de caminhar.n Adriano Labucci diz que o caminhar implica num triplo movimento: não nos apressar, acolher o mundo e não nos esquecer de nós mesmos no caminho. O mesmo autor acrescenta mais adiante: não existe nada mais subversivo, mais alternativo ao modo de pensar e agir hoje dominante.
De fato caminhar é resistir, e colocar de novo em contato os pés na terra, para viver em constante êxodo e resgatar a condição de andarilho. É acreditar no convite de Deus a Abrão: Lekh lekhà (vai-te) e como Enzo Bianchi, comentou; vá até você mesmo, uma viagem por tanto interior e externa como missão e tarefa. São Francisco foi nominado pelo seu biógrafo, Tomás Celano, um feliz viajante e nos ensina o caminho da alegria, simplicidade e comunhão com todas as criaturas. Dorothy Day se iniciou na oração e na justiça social caminhando nos subúrbios operários de Chicago e Nova York.
O irmão Roger de Taizé nos propõe caminhar com confiança e mansidão para a unidade. Martin Luther King fez várias caminhadas defendendo a dignidade e a justiça racial lutando contra a discriminação. Mas quantas pessoas anônimas como uma velhinha de camisa azul e tênis surrado, que caminhava levando nas costas a seguinte frase: peregrina da paz, 25000 milhas a pé pela paz; fazem-nos entender a profecia deste gesto?
Ela tinha deixado tudo, uma posição confortável bens e moradia para caminhar conhecendo pessoas e passar a mensagem da paz e do amor. Caminhar não só é uma atividade muito saudável, mas plenamente humana porque nos insere no mundo, e nos faz recuperar a percepção verdadeira do espaço e do tempo. Quando caminhamos clareamos o sentido da vida, o para onde vamos e qual o objetivo da nossa missão. Aprendemos a profunda sabedoria daquele pensamento de Mahatma Ghandi: não há caminho para paz, a paz é o próprio caminho. Finalmente gostaria de afirmar que o caminhar é uma experiência de profunda trascendência e misticismo porque nunca caminhamos sozinhos, mas na companhia daquele que se apresenta não só como amigo e irmão da jornada, senão o próprio Caminho que leva ao Pai, Jesus Cristo o ponto de partida e de chegada da nossa peregrinação na Terra. Deus seja louvado!
Reunião do regional Nordeste 3 aborda problemas no sistema prisional
Na pauta, a superlotação e a falta de políticas públicas dentro dos presídios baianos
A presidência do regional Nordeste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a coordenação regional da Pastoral Carcerária reuniram-se, na quarta-feira, em Salvador (BA), para discutir meios de amenizar os problemas existentes no sistema prisional do estado da Bahia.
A segurança dos internos, tendo em vista os últimos acontecimentos em que presos foram mortos dentro de presídios brasileiros por causa de problemas como superlotação e maus tratos, foi o principal assunto do encontro. De acordo com o assessor jurídico da Pastoral Carcerária do regional Nordeste 3, Davi Pedreira, os presídios da Bahia estão em estado crítico e precisam de mais atenção do governo. “A Bahia tem o dobro ou o triplo de presos na cadeia, ou seja, numa cela que cabem dois, tem cinco, seis ou sete presos, destaca o assessor.
Segundo a pastoral, a Bahia tem 60% de presos provisórios que aguardam julgamento presos. “O direito prevê, na sua concepção acadêmica, que o preso só ficasse preso provisoriamente sem ser julgado em casos excepcionais, mas é tão lenta a justiça baiana que 60% de presos estão sendo julgados ainda”, disse o assessor.
A Pastoral Carcerária tem solicitado uma agenda com o governador da Bahia, Rui Costa, para apresentar um documento com as sugestões e prioridades apontadas durante a reunião. O bispo de Serrinha (BA) e referencial da Pastoral Carcerária no regional Nordeste 3, dom Ottorino Assolari, ressaltou a importância de ter um apoio do governo diante da situação pela qual os presídios estão passando. “Nós queremos ir até o governador para que assuma pessoalmente a responsabilidade dos presídios, porque cabe a ele assumir pessoalmente e a situação é grave aqui na Bahia… tem muitos problemas e poderia de uma hora pra outra ter uma bomba de repente, sem previsão nenhuma. Mandamos o convite ao governador, porque o quanto antes tivermos uma resposta, mais rápido o problema poderá ser resolvido. Nós esperamos que através disso possamos ficar com mais tranquilidade”, contou o bispo.
Na reunião ainda foram discutidos os problemas nas políticas públicas dentro do próprio presídio. A intenção é que aumente o número de escolas, melhores condições de trabalho para os presos, além da diminuição do excesso de prisões provisórias. Outra sugestão apontada é a possibilidade de realizar convênios com universidades que disponibilizem estagiários do curso de direito, para que os estudantes possam dar suporte ao sistema judiciário prisional.
Participaram do encontro o bispo de Camaçari (BA) e presidente do regional Nordeste 3 da CNBB, dom João Carlos Petrini; o bispo auxiliar de Salvador e secretário geral do regional, dom Gilson Andrade da Silva; o arcebispo de Feira de Santana, dom Zanoni Demettino Castro; o bispo de Serrinha e referencial da Pastoral Carcerária no regional Nordeste 3, Dom Ottorino Assolari; o coordenador estadual da Pastoral, Franco, o assessor Jurídico, Davi Pedreira; além de outros dirigentes da Pastoral Carcerária a nível estadual.
Com informações do regional Nordeste 3 Fotos: Lilian Kastro